1.2.08
11.12.07
A Era da TV digital
Mal foi inaugurada, a transmissão digital na TV brasileira já nos brinda com gafes irresistíveis em alta definição. Obviamente uma coisa não tem nada a ver com a outra (não é porque a TV digital entrou em operação que esse tipo de cena curiosa passou a acontecer). Mas a idéia de tal associação não deixa de ser interessante. Marcelo Rezende que o diga. Afinal, agora ele é celebridade nacional não só por sua visibilidade como profissional do jornalismo, mas também por ser flagrado - e transmitido - em rede nacional limpando o salão de festas.
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7.12.07
"A França é um país?"
O programa é bem familiar por aqui (alguém já ouviu falar de um "Você é mais inteligente que um aluno da 3ª -sic!- série?" - não vou repetir o que já falei aqui sobre o SBT). A situação, nem tanto. No telão apareceu a pergunta "Budapeste é a capital de qual país europeu?". E o que ela respondeu? Nada! Ela não apenas não sabe a resposta como diz que a pergunta é "burra" porque, afinal, "a Europa nao é um país?". Enquanto tenta encontrar alguma resposta que faça sentido, solta pérolas do tipo "Budapeste, nunca ouvi falar", "A França é um país?" e "Já ouvi falar em Turquia [Turkey - o mesmo que "peru" - em inglês], mas nunca em Hungria [Hungary - que se pronuncia da mesma forma que "com fome"].
Marcadores: humor/curiosidade, TV
13.5.06
"Minha (nada mole) Vida"
É inegável essa sensação de que os programas da TV aberta brasileira estão ficando cada vez mais parecidos. Até mesmo os seriados humorístico, por mais inovadores que sejam, ultimamente nos deixam com essa impressão de "já vi isso em algum lugar" (e contra isso nem mesmo os títulos mais confusos e estapafúrdios que a mente humana consegue criar são capazes de lutar!).Tomemos como exemplo a nova (tudo bem! Reconheço que já não é assim tão nova. Mas para que o conteúdo deste post tomasse forma foi necessário um breve período de maturação) atração das noites de sexta-feira (na toda-poderosa Rede Globo). "Minha (nada mole) Vida" deixa no ar essa impressão de que as histórias apresentadas não trazem nada além daquilo já mostrado em tantas outras histórias já vistas nas telas da TV. Nem mesmo o gabaritado trio formado por Luiz Fernando Guimarães, Alexandre Machado e Fernanda Young (considerados os verdadeiros culpados pelo estrondoso sucesso de crítica e audiência de "Os Normais" - sem dúvida uma das melhores sitcoms brasileiras de todos os tempos!), parece capaz de salvar o programa que se baseia no exaustivamente abordado tema "pai separado tenta a todo custo se dar bem em novos relacionamentos enquanto se depara com as lições de moral dadas por seu filho (aparentemente mais maduro e inteligente que ele próprio) e vive às broncas com sua ex-esposa".
A série mostra as trapalhadas e confusões da vida de Jorge Horácio (Luiz Fernando Guimarães), um excêntrico apresentador de televisão (seu programa, "Jorge Horácio By Night", mostra tudo o que acontece nas festas e na vida pessoal das maiores celebridades do momento) que tem a maior facilidade para se meter em todo tipo de confusão. Para metê-lo nas enrascadas, JH conta com a ajuda de sua ex-esposa Silvana (Maria Clara Gueiros), com quem vive em constante pé-de-guerra, e de seu filho Helinho (David Lucas - que, aliás, é a cara do Harry Poter!).
As comparações com "Os Normais" são inevitáveis. Até porque, além do próprio Luiz Fernando, ambos os programas dividem a mesma dupla de roteiristas (Alexandre Machado e Fernanda Young). As semelhanças, no entanto, terminam por aí. Enquanto n´Os Normais as novidades (linguagem, situações bizarras, excentricidades dos personagens, enredos bem costurados, tramas bem armadas) se multiplicavam, essa nova série parece não passar de um aglomerado de antigas receitas de sucesso que foram recauchutadas e estão sendo reaproveitadas (sem muita inovação).
Seria, no entanto, demasiadamente crítico quem dissesse que o programa não pode ser considerado um entretenimento, no mínimo, inofensivo. Porque existem 2 pontos para os quais não podemos deixar de bater palmas. Um deles, como já se era de esperar, é a magistral atuação de Luiz Fernando Guimarães, capaz de arrancar gargalhadas do público apenas com seu gestos e trejeitos. O outro, é a abertura dos espisódios: a dança de Jorge Horácio e Helinho sobre um fundo branco, os dois realizando exatamente os mesmos passos, ao ritmo de uma música leve e descontraída, já é suficiente para conquistar mais algumas boas risadas.
No mais, "Minha (nada mole) Vida" é isso mesmo: um amontoado de clichês, etrecortados por uma ou outra sacada bem feita, que nos deixa com saudade dos tempos em que as noites de sexta-feira eram tomadas pelas maluquices (hilárias) de Rui e Vani, o casal mais "normal" que a TV já viu.

Só nos resta mesmo esperar para ver se essa sensação de "já vi isso em algum lugar" não levará o programa pelo mesmo caminho de sucesso decrescente por onde já conduziu vários de seus predecessores...
11.3.06
"Lost" - a receita de um grande sucesso
Um avião enfrenta problemas durante o vôo e cai numa ilha perdida no sul do Oceano Pacífico. 48 passageiros sobrevivem ao acidente. Isolados neste local misterioso, os sobreviventes lutam para superar suas diferenças e seus segredos. Dessa forma, tentam manter-se vivos até que alguém os venha resgatar.Este é o enredo da série "Lost" (cuja 1ª temporada foi recentemente exibida pela Rede Globo de Televisão).
É certo que o tema de sobreviventes de naufrágios ou de acidentes aéreos que ficam isolados em uma ilha escondida em algum lugar do mundo, enfrentando todos os tipos de adversidade, a todo instante sendo obrigados a encontrar uma nova forma de superar suas limitações, certamente não pode ser considerado um rompante de originalidade. Várias produções já exploraram enredos com características semelhantes nas telas do cinema, da TV e até mesmo nas páginas dos livros ("O Náufrago" - filme em que Tom Hanks dá uma aula de atuação e composição de personagem - e o clássico livro "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe, são apenas 2 dos exemplos mais famosos).
Se o enredo em si não é no todo original, o que, então, faz com que estas produções se tornem sucesso tanto de público quanto de crítica? Qual é a mágica capaz de despertar o interesse e prender a atenção do público? O que esses sobreviventes têm de tão especial?
Talvez a razão mais gritante desse freqüente sucesso seja justamente o fato das personagens serem "sobreviventes". O interesse do ser humano pelo desconhecido e seu comportamento diante de situações extremas, a curiosidade de saber o que faríamos se fôssemos nós mesmos naquela situação, se conseguiríamos sobreviver, se apesar de todas as dificuldades continuaríamos cultivando a esperança; já servem para mexer com a imaginação do público e garantir a produtores, roteiristas, escritores e diretores um bom terreno para o desenvolvimento de suas tramas.
Mas, além desse inexplicável interesse pelo desconhecido, há um outro fator de vital importância para o sucesso - ou fracasso - dessas produções: tão importante quanto ter nas mãos uma história interessante é saber como contar essa história da forma mais envolvente possível.
E quem acompanha a série Lost sabe perfeitamente quão vasto é o universo das variáveis que podem ser utilizadas para se melhor narrar uma história...
Desde o primeiro capítulo, os episódios vêm sendo dosados com as medidas exatas de suspense, aventura e mistério. Nenhuma respota é dada sem que antes surja uma nova pergunta que fique pairando no ar, esperando nova resposta.
Da mesma forma, as personagens não são apresentadas em sua versão "completa". Elas vão sendo construídas de forma gradativa. A personalidade de cada um e seu comportamento junto aos demais na ilha vão sendo justificados com flashbacks que contam as histórias de suas vidas. O passado que os persegue, a mágoa que não os deixa, as incertezas e os medos são peças que vão sendo encaixadas de forma homeopática, uma de cada vez. Pé ante pé, o público vai conhecendo um pouco mais de cada sobrevivente. E isso cria um clima de cumplicidade, leva a personagem para mais perto do telespectador, quase como se aquele indivíduo da ficção ultrapassasse os limites da realidade e entrasse no mundo das pessoas de carne e osso. O sujeito rude e antipático, a mocinha que esconde seu passado, o cabeludo naturalmente cômico, o viciado em heroína, a jovem mãe solteira, o mocinho responsável e com desenvolvido senso de justiça e liderança... os personagens são tão palpáveis que não seria de se estranhar se qualquer um deles fosse nosso vizinho de porta.
Outra característica natural à série - e que, pela facilidade com que ocorre, a distingue da maioria das demais produções televisivas do momento - é a narrativa dialética da qual ela se valhe. Tudo o que acontece é apresentado propositalmente de uma forma paradoxal. Felicidade e tristeza, revelação e mistério, sucesso e fracasso, vida e morte, esperança e desespero, amor e ódio... para cada sensação que se desperta, sempre há uma sensação contrária para contrabalancear o peso dos acontecimentos (num dos episódios, no mesmo dia em que o bebê de Claire nasce, Boone morre; no último episódio da 1ª temporada, a francesa devolve o bebê que raptara para Charlie e Sayd, enquanto, em alto-mar, "os outros" levam o menino Walt embora). Esse estratégico choque de realidades contrárias - que se opõem e completam - aumenta a intensidade dramática de cada acontecimento que envolve os sobreviventes da ilha.
No entanto, nenhum dos pontos que acima citamos valeriam de alguma coisa se não houvesse um roteiro muito bem esquematizado para fazer a "costura" da trama. Mérito aqui devido aos roteiristas e aos produtores que, além de cadenciarem o ritmo dos acontecimentos de forma primorosa, têm um planejamento de longo prazo para toda a série (prevista para ter a duração de 6 temporadas).
Lost (exibida originalmente nos EUA pela rede ABC - e retransmitida no Brasil pelo canal pago AXN) está atualmente no decorrer de sua 2ª temporada e, caso continue seguindo os passos que já a transformaram num fenômeno de audiência, certamente será mais uma série a fazer parte do seleto grupo de grandes sucessos da televisão mundial.
Se bem que, observando-se todos esses fatores, fica mais fácil compreender como uma série com um mote tão utilizado ainda consiga causar espanto, intriga, curiosidade e, sobretudo, admiração em milhares de telespectadores ao redor do mundo, não é?
(Para acessar o site oficial da série, com informações sobre os capítulos já exibidos, arquivos para download, curiosidades e biografia dos atores, CLIQUE AQUI)



